Num momento histórico que tornou-se moda falar de gastronomia, onde pessoas com alto poder aquisitivo buscam seus traços de distinção em restaurantes cada vez mais refinados e de comida duvidosa, faço hoje uma, digamos, breve etnogastronomia de um dos restaurantes mais sui generis e mais convidativos de Natal: o Bar do Cobra Choca.
Localizado no Bairro do Bom Pastor, nas proximidades da Avenida 9, o bar é um pouco a cara de seu dono, o ex-pescador que possui o apelido de Cobra Choca (não "bula" com ele, pois ele morde). Servido no térreo de sua casa, seus pratos são convidativos e baratos: peixe frito, macaxeira cozida, chambaril completo, costelas de porco fritas, caldo de ova de curimatã, picado de carneiro, galinha caipira, miudos de galinha, favada, entre outros. O mais interessante é provar a "Catuaba do Cobra", bebida preparada pelo próprio Cobra Choca com cachaça e ervas aromáticas. Além de afrodisíaca é boa digestiva para os pratos que estão fora da atual lógica neurótica da comida ligth. Não exagere na catuaba, seus efeitos a fazem ser conhecida como "elixir da verdade", atestada por alguns de seus assíduos frequentadores. Cobra Choca, ex-pescador, atesta um gênero de alimentação (prefiro este termo, ao invés de gastronomia) que está intimamente ligado às nossas raízes litorâneas e sertanejas. Alimentar-se com vísceras, pernas de boi, costelas e peixes populares são uma marca de nossa cultura. O segredo é que ao seu preparo vão se acrescentando molhos, temperos e cuidados que fazem desses pratos trajetórias culinárias imemoriais. As melhores e mais significativas comidas do mundo inteiro possuem raízes populares: isto vale para nossa feijoada ou para a pizza italiana. Comer no Cobra Choca é um mergulho nessa lógica que pode estar longe da Av. Engenheiro Roberto Freire ou do Tirol, mas jamais dos corações e paladares do potiguar.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Reflexões do Absoluto
O universo é infinito, afirmam as mais recentes pesquisas na astrofísica e na cosmologia científica. Isso significa que existem possibilidades de existência de qualquer coisa que você possa imaginar. Inclusive vida inteligente. A questão é que, mesmo assim, a vida inteligente é algo raro e sua distância de nós é considerada um obstáculo quase intransponível. Existem bilhões de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas. Isso em números que possamos compreender. A infinitude do universo nos fornece uma perspectiva mais abrangente. Ou seja, ainda estamos tateando no escuro.
Isto me faz pensar em Deus.
Num momento, quando nem o tempo nem o espaço existiam, tudo teve inicio. O que havia antes? A ciência não sabe dizer. Nada. Ou tudo. O ato criador veio neste instante não temporal (afinal não havia tempo) onde o que chamamos de universo teve seu início. Pela medição da radiação cósmica, os cientistas calculam cerca de 15 bilhões de anos atrás. Eis o fiat inicial.
Fico arrepiado de relatar isso agora. Pois o que para mim antes era fruto do mero acaso, agora vejo como o "dedo" inescrutável da vontade e da graça divina. Deus fez o universo quando quis. Forneceu sua lógica física e natural e permitiu seu desenvolvimento. Talvez você se pergunte: e ele esperou esse tempo todo para que nós aparecêcemos? Não. Ele não espera, pois para quem criou o tempo e o espaço, esses não existem simplesmente.
Deus é absoluto e transcendente. Isso significa que ele está além de tudo que conhecemos. Isso significa que nossas categorias de pensamento mal conseguem tocá-lo. Isso acontece quando pensamos em Deus ou quando pensamos na origem de nosso cosmos.
Nossas origens remontam a uma perspectiva que ainda não compreendemos. Se a vida é algo raro, mais motivos tenho para acreditar que ela é uma graça divina. Um dom de amor que exigiu uma série initerrupta de condições (e causalidades) que me fazem pensar quão grande foi esse cuidado e amor. Se Israel era o povo eleito para servir de exemplo às nações, porque não imaginar que somos o planeta eleito para servir de sacerdócio universal ao universo?
Não sei. Só sei que pensar em Deus nesses parâmetros me faz louvar sua infinita bondade e amor. O resto é questão de semântica e semiótica.
Isto me faz pensar em Deus.
Num momento, quando nem o tempo nem o espaço existiam, tudo teve inicio. O que havia antes? A ciência não sabe dizer. Nada. Ou tudo. O ato criador veio neste instante não temporal (afinal não havia tempo) onde o que chamamos de universo teve seu início. Pela medição da radiação cósmica, os cientistas calculam cerca de 15 bilhões de anos atrás. Eis o fiat inicial.
Fico arrepiado de relatar isso agora. Pois o que para mim antes era fruto do mero acaso, agora vejo como o "dedo" inescrutável da vontade e da graça divina. Deus fez o universo quando quis. Forneceu sua lógica física e natural e permitiu seu desenvolvimento. Talvez você se pergunte: e ele esperou esse tempo todo para que nós aparecêcemos? Não. Ele não espera, pois para quem criou o tempo e o espaço, esses não existem simplesmente.
Deus é absoluto e transcendente. Isso significa que ele está além de tudo que conhecemos. Isso significa que nossas categorias de pensamento mal conseguem tocá-lo. Isso acontece quando pensamos em Deus ou quando pensamos na origem de nosso cosmos.
Nossas origens remontam a uma perspectiva que ainda não compreendemos. Se a vida é algo raro, mais motivos tenho para acreditar que ela é uma graça divina. Um dom de amor que exigiu uma série initerrupta de condições (e causalidades) que me fazem pensar quão grande foi esse cuidado e amor. Se Israel era o povo eleito para servir de exemplo às nações, porque não imaginar que somos o planeta eleito para servir de sacerdócio universal ao universo?
Não sei. Só sei que pensar em Deus nesses parâmetros me faz louvar sua infinita bondade e amor. O resto é questão de semântica e semiótica.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
A alta dos combustíveis e a Era Lula
Combustíveis e governo Lula, tudo a ver!
A questão é que, em pleno momento histórico em que os combustíveis estão com os preços mais baixos dos últimos 40 anos (proporcionalmente), o Brasil tem os derivados de petróleo destinado ao consumidor comum extremamente salgados.
Quando o petróleo internacionalmente subia, eis que aqui subia-se também. Quando ele baixou, NADA. O argumento é que a Petrobrás fez inúmeros investimentos que, é claro, nós pagamos quando compramos nosso combustível.
O leitor desavisado, não possuidor de autos deve estar pouco se lixando. Não fique. O frete, os transportes em geral dependem do que falo aqui. Tudo fica mais caro.
A inércia administrativa do governo em gerenciar as fontes de combustível do país, somada a sanha devoradora de impostos do Estado brasileiro são motivos reais para que o galão de gasolina do Brasil seja um dos mais caros do mundo.
Em Natal, o absurdo é ainda maior. Na vizinha Paraíba o combustível é cerca de 20 a25% mais barato. E eles não produzem uma única gota!
Afora isso, temos uma máfia camuflada que consegue impor praticamente os mesmos preços ao consumidor nos postos de combustiveis da capital. Na zona sul, até os centavos são os mesmos! Se isto não for indício de cartelização, não há como provar nunca o fato!!!
Uma boa notícia em tudo isto (tem de haver alguma): estão trafegando menos carros em Natal. Já dá para sentir. Pena que não possuímos ciclovias, seria ótimo poder percorrer a cidade de bicicleta. Tentar fazer isso hoje, do jeito que está, é pedir para morrer atropelado...
A questão é que, em pleno momento histórico em que os combustíveis estão com os preços mais baixos dos últimos 40 anos (proporcionalmente), o Brasil tem os derivados de petróleo destinado ao consumidor comum extremamente salgados.
Quando o petróleo internacionalmente subia, eis que aqui subia-se também. Quando ele baixou, NADA. O argumento é que a Petrobrás fez inúmeros investimentos que, é claro, nós pagamos quando compramos nosso combustível.
O leitor desavisado, não possuidor de autos deve estar pouco se lixando. Não fique. O frete, os transportes em geral dependem do que falo aqui. Tudo fica mais caro.
A inércia administrativa do governo em gerenciar as fontes de combustível do país, somada a sanha devoradora de impostos do Estado brasileiro são motivos reais para que o galão de gasolina do Brasil seja um dos mais caros do mundo.
Em Natal, o absurdo é ainda maior. Na vizinha Paraíba o combustível é cerca de 20 a25% mais barato. E eles não produzem uma única gota!
Afora isso, temos uma máfia camuflada que consegue impor praticamente os mesmos preços ao consumidor nos postos de combustiveis da capital. Na zona sul, até os centavos são os mesmos! Se isto não for indício de cartelização, não há como provar nunca o fato!!!
Uma boa notícia em tudo isto (tem de haver alguma): estão trafegando menos carros em Natal. Já dá para sentir. Pena que não possuímos ciclovias, seria ótimo poder percorrer a cidade de bicicleta. Tentar fazer isso hoje, do jeito que está, é pedir para morrer atropelado...
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
II Guerra Mundial no RN: Historiografia em Luís da Câmara Cascudo e Tarcísio Medeiros
Introdução
A importância de Natal na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) surge com veemência nas comemorações dos 65 anos do fim da mesma. A historiografia potiguar contribui com a discussão do tema ao incluir nele dois historiadores que vivenciaram, relataram e pensaram o período: Luís da Câmara Cascudo e Tarcísio Medeiros.
Minha preocupação neste breve artigo é trazer à tona os elementos e fatos analisados pelos dois historiadores, seja do ponto de vista geopolítico e antropológico como abordado por Tarcísio Medeiros (MARIZ & SUASSUNA, 2002, p. 325), seja do ponto de vista dos relatos sociais, culturais e políticos tal quais enfatizados por Luís da Câmara Cascudo.
Natal e a II Guerra
Luís da Câmara Cascudo em sua História da Cidade do Natal (1999), faz uma descrição minuciosa acerca da localização – datada historicamente – de Parnamirim. “O topônimo”, diz Cascudo, “está num mapa de Marcgrave, o Brasiliae geographica & hydrographica tabula nova” (p. 421). Única referência. O nome deve-se a um “tabuleiro entre colinas em meias-laranjas, com a lagoa que lhe deu nome” e já em 1927 torna-se um “campo de pouso para os aviões da Latecoère” (p. 421). Depois viria a Air France e a italiana “Ala Vitória”.
Cascudo atribui ao coronel Tavares Guerreiro a serventia aeronáutica de Parnamirim. Os norte-americanos e os alemães utilizavam hidro-aviões subindo e descendo na foz do rio Potengi. Parnamirim inicia sua notoriedade graças à presença de ilustres que pousavam e decolavam de seu campo (1999, p. 421).
Com a II Guerra Mundial e em 1942, com a construção de uma Base Aérea da Força Aérea Brasileira veio a “consagração universal”. Tinha funções de patrulha e vigilância. Ao mesmo tempo é instalada pelo almirante Ari Parreiras a Base Naval na área do Refoles. No auge da guerra, “fez içar o pavilhão nacional em oito destróiers escolta. E mais o dique flutuante Potiguar e a barca-oficina Potengi” (1999, p. 422).
Os americanos construíram em Parnamirim sua base. Segundo Cascudo,
pistas de dois mil metros facilitavam a descida imediata de 250 aviões. Mil e quinhentos edifícios abrigavam dez mil homens. Todos os serviços modernos, todos os recursos da técnica, possíveis ao gênio e ao dinheiro, estavam abundantemente acumulados em Parnamirim (1999, p. 422).
Relata também que o consumo de gasolina médio chegavam a cem mil litros diários, vindos de um “pipe line” a 20 quilômetros de distância, abastecidos, por sua vez, dos navios tanques do porto de Natal. Também, de fundamental importância, era a pista asfaltada (20 km) que ligava Natal a Parnamirim.
Para Cascudo, Parnamirim Field não teria sido concretizada sem a importante contribuição dos brasileiros locais. Estes se misturaram com os militares americanos e sua cooperação foi sempre lembrada pelos próprios americanos (1999, p. 423).
Para os potiguares tudo era novidade, “tudo era novo, enorme, e regular [sic], desde os caminhões de dezesseis rodas, com reboque, até os filmes novíssimos que passavam quinze meses antes da distribuição para o grande público” (CASCUDO, 1999, p. 423). A presença americana também foi sentida através dos infortúnios. Segundo Cascudo, mais de cem túmulos no Cemitério do Alecrim atestavam a luta contra o nazi-facismo.
Ao derredor do Campo, surgiu a Vila de Parnamirim, pobre e singela, mas com grupo escolar, luz elétrica, urbana. Era parte do município de Natal, então administrado pelo prefeito Sylvio Piza Pedroza.
Cascudo enfatiza a importância de Parnamirim apontando sua estratégica presença no Atlântico Sul. Para tanto cita o General norte-americano Charles Gerardt e o próprio presidente Franklin Delano Roosevelt para quem “a encruzilhada estratégica tão importante para a realização das campanhas do Norte da África e da Sicília” (1999, p. 424). Importantes na defesa de Natal, diz Cascudo, foram o general Cordeiro de Farias, o chefe de polícia local, André Fernandes de Sousa, Godofredo Rocha, chefe da Defesa Civil (1999, p. 425).
Natal inteira, localizada próxima a Base, foi preparada e organizada em todos os sentidos e áreas (naval, aérea, terrestre). Fizeram surgir “casas, estaleiros, cais de atracação e subida para os aviões anfíbios, armazéns, hospitais, cassinos” (Cascudo, 1999, p. 424). Na “Rampa da Limpa” atracavam os grandes 24 PBY, os hidroaviões patrulhas da USS Navy, os “Catalinas”, os bombardeios B-29 e os clippers de 75 passageiros . A cidade inteira vivia o clima de guerra. Os black-out eram constantes, os abrigos públicos contra bombardeios, os voluntários para todas as necessidades. (1999, p. 425).
Tarcísio Medeiros num artigo em seu Estudos de História do Rio Grande do Norte (2001), enfatiza a importância da localização estratégica de Natal e do Rio Grande do Norte, assim como o do próprio Brasil, para o domínio estratégico e militar da costa do Atlântico Sul. O Rio Grande do Norte, desde o período de sua ocupação colonial sempre foi ponto estratégico, no século XX, a II Guerra Mundial foi prova disto (MEDEIROS, 2001, p. 117-118).
No início da guerra, três navios militares brasileiros faziam a guarda da costa potiguar: Cananéia, Camaquã e Camocim. Estes apoiados por aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). Em 1941 Natal recebia o 16º Regimento de Infantaria, parte da 14ª Divisão de Infantaria. Também a Base Naval de Natal recebia o seu comandante, Ary Parreiras. Já “a aviação, unificada desde 18 de janeiro [de 1941] com a criação do Ministério da Aeronáutica, possuindo o campo de ‘Parnamirim’, estabeleceu a sede da 2ª Zona Aérea, cujo comando foi confiado ao Brigadeiro Eduardo Gomes” (MEDEIROS, 2001, p. 119).
A preocupação central para o Brasil era o Afrika Korps de Rommel, situado na África do Norte, com seus aviões, submarinos e homens que podiam avançar sobre a costa nordestina. Para dar conta desta ameaça, “foi decretada a mobilização geral, não somente militar, com o chamamento de reservistas de várias classes para a caserna, como ainda de ordem econômica, para o que, neste particular, foram criados órgãos especializados” (MEDEIROS, 2001, p. 119), voltados para a economia de guerra e seus esforços (racionamento, alocação de mão-de-obra, busca de matérias-primas essenciais, etc.).
Ateste-se também a presença da Cruz Vermelha, a importância da Defesa Civil (inclusive com a importante participação de Luis da Câmara Cascudo), a Polícia local, que possibilitaram a defesa interna e o serviço de contra-espionagem. Também foram significativos as polícias de black-outs, os alarmes estratégicos e os abrigos públicos. Os exercícios de black-out foram realizados na cidades que estava protegida pela artilharia aérea, holofotes e aviões. A partir de maio de 1943
a cidade viveu em black-out ininterrupto, enquanto durou a guerra na África. Nesse período, por três ocasiões, foram dados alertas reais com duração de mais de duas horas, por terem sidos detectados sinais de aproximação de forças inimigas, felizmente sem conseqüências maiores, porém causadores de grande susto à população recolhida aos abrigos, e para muitos que fugiram para o interior do Estado (MEDEIROS, 2001, p. 120).
Medeiros informa que em outubro de 1939 o Congresso das Nações Americanas estabelece uma Zona de Segurança que envolveria o continente americano. Tomado os limites do Brasil, estabeleceu-se uma “Zona de Guerra, subdividida em Teatros de Operações. (...) Nessa delimitação, o Estado do Rio Grande do Norte foi enquadrado no Teatro de Operações (TO) do Nordeste (NE)” tendo em vista sua localização estratégica (2001, p. 121).
O importante era estabelecer a defesa por meios navais e aéreos. Foram criados para tanto: “16º R.I., GBC (40º e 42º BC), AD/14 – com: 4º GADo – 2º /8º RAM – 3º RADC, 1º/3º RAAAe, 2º/GMAC, 2º BCC, 1 B. de Engenhos e 1 B. de Comunicações” (Medeiros, 2001, p. 122). Tudo isso agrupado ao longo do litoral potiguar e em alguns pontos do interior. Medeiros descreve com acuidade as estratégias de defesa que poderiam ser utilizadas caso a costa fosse invadida ou atacada (Cf. 2001, p. 122-123).
Natal é modificada drasticamente com os eventos. De cerca de 60 mil habitantes, viu sua população quase duplicar. Milhares de militares: americanos e brasileiros. Além da mão-de-obra atraída pelos grandes empreendimentos militares. Os americanos eram grandes gastadores e dinamizaram a economia local, principalmente o comércio e os cabarés (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Parnamirim Field foi construída com mão-de-obra potiguar e milhares de norte-rio-grandeses lá passaram. Além dela, os americanos construíram uma base aerofluvial às margens do rio Potengi, “não apenas para abrigo e operações das grandes lanchas PT de combates anti-submarinos, como necessária aos menores hidroaviões anfíbios de transporte de cargas” (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Tarcísio de Medeiros destaca a “Conferência de Natal”, realizada a 28 de janeiro de 1943, onde o presidente Getúlio Vargas, do Brasil, e o presidente, Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos, a bordo do Cruzador Humboldt, fecharam vários acordos de cooperação e aliança militar e civil (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Além de destacar a brilhante liderança do Almirante Ary Parreiras na Base Naval de Natal, Medeiros mostra que as baixas da Marinha brasileira chegaram a 476 mortos em serviço ativo, ultrapassando o número de pracinhas da FEB na Itália. Os maiores efetivos eram do Exército assim como as maiores atribuições. Muito material norte-americano foi utilizado, incluído os Jeeps (2001, p. 128).
A figura do soldado tornou-se significativa no cenário natalense. Seus hábitos e rotinas se mesclaram às da cidade. Seu treinamento era melhor que seu equipamento e armamento, que só foi melhorado a partir de junho de 1944, quando a 14 D.I, começou a receber equipamento mais moderno (MEDEIROS, 2001, p. 129-131).
A importância de Natal pode ser verificada a partir da declaração do General em Chefe dos Exércitos Aliados, Dwight Eisenhower em 1946:
Tive muita satisfação de pisar o solo do lugar de que tanto cogitei durante a guerra. Natal teve, como todos sabem, influência decisiva na guerra, possibilitando às Nações Unidas as maiores facilidades para alcançar seus objetivos (MEDEIROS, 2001, p. 130).
Natal foi importante e continua expressando sua importância na presença do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno e de sua Base Aérea. Daqui foram lançados as bases para a derrota do Afrika Korps de Erwin Rommel e para a Campanha da Itália, assim coma a queda do Nazi-facismo na Europa.
Bibliografia
CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal: RN Econômico, 1999.
MARIZ, Marlene da Silva, SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão. História do Rio Grande do Norte. Natal: Ed. Sebo Vermelho, 2002.
MEDEIROS, Tarcício. Estudos de História do Rio Grande do Norte. Natal: Tipografia Santa Cruz, 2001.
A importância de Natal na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) surge com veemência nas comemorações dos 65 anos do fim da mesma. A historiografia potiguar contribui com a discussão do tema ao incluir nele dois historiadores que vivenciaram, relataram e pensaram o período: Luís da Câmara Cascudo e Tarcísio Medeiros.
Minha preocupação neste breve artigo é trazer à tona os elementos e fatos analisados pelos dois historiadores, seja do ponto de vista geopolítico e antropológico como abordado por Tarcísio Medeiros (MARIZ & SUASSUNA, 2002, p. 325), seja do ponto de vista dos relatos sociais, culturais e políticos tal quais enfatizados por Luís da Câmara Cascudo.
Natal e a II Guerra
Luís da Câmara Cascudo em sua História da Cidade do Natal (1999), faz uma descrição minuciosa acerca da localização – datada historicamente – de Parnamirim. “O topônimo”, diz Cascudo, “está num mapa de Marcgrave, o Brasiliae geographica & hydrographica tabula nova” (p. 421). Única referência. O nome deve-se a um “tabuleiro entre colinas em meias-laranjas, com a lagoa que lhe deu nome” e já em 1927 torna-se um “campo de pouso para os aviões da Latecoère” (p. 421). Depois viria a Air France e a italiana “Ala Vitória”.
Cascudo atribui ao coronel Tavares Guerreiro a serventia aeronáutica de Parnamirim. Os norte-americanos e os alemães utilizavam hidro-aviões subindo e descendo na foz do rio Potengi. Parnamirim inicia sua notoriedade graças à presença de ilustres que pousavam e decolavam de seu campo (1999, p. 421).
Com a II Guerra Mundial e em 1942, com a construção de uma Base Aérea da Força Aérea Brasileira veio a “consagração universal”. Tinha funções de patrulha e vigilância. Ao mesmo tempo é instalada pelo almirante Ari Parreiras a Base Naval na área do Refoles. No auge da guerra, “fez içar o pavilhão nacional em oito destróiers escolta. E mais o dique flutuante Potiguar e a barca-oficina Potengi” (1999, p. 422).
Os americanos construíram em Parnamirim sua base. Segundo Cascudo,
pistas de dois mil metros facilitavam a descida imediata de 250 aviões. Mil e quinhentos edifícios abrigavam dez mil homens. Todos os serviços modernos, todos os recursos da técnica, possíveis ao gênio e ao dinheiro, estavam abundantemente acumulados em Parnamirim (1999, p. 422).
Relata também que o consumo de gasolina médio chegavam a cem mil litros diários, vindos de um “pipe line” a 20 quilômetros de distância, abastecidos, por sua vez, dos navios tanques do porto de Natal. Também, de fundamental importância, era a pista asfaltada (20 km) que ligava Natal a Parnamirim.
Para Cascudo, Parnamirim Field não teria sido concretizada sem a importante contribuição dos brasileiros locais. Estes se misturaram com os militares americanos e sua cooperação foi sempre lembrada pelos próprios americanos (1999, p. 423).
Para os potiguares tudo era novidade, “tudo era novo, enorme, e regular [sic], desde os caminhões de dezesseis rodas, com reboque, até os filmes novíssimos que passavam quinze meses antes da distribuição para o grande público” (CASCUDO, 1999, p. 423). A presença americana também foi sentida através dos infortúnios. Segundo Cascudo, mais de cem túmulos no Cemitério do Alecrim atestavam a luta contra o nazi-facismo.
Ao derredor do Campo, surgiu a Vila de Parnamirim, pobre e singela, mas com grupo escolar, luz elétrica, urbana. Era parte do município de Natal, então administrado pelo prefeito Sylvio Piza Pedroza.
Cascudo enfatiza a importância de Parnamirim apontando sua estratégica presença no Atlântico Sul. Para tanto cita o General norte-americano Charles Gerardt e o próprio presidente Franklin Delano Roosevelt para quem “a encruzilhada estratégica tão importante para a realização das campanhas do Norte da África e da Sicília” (1999, p. 424). Importantes na defesa de Natal, diz Cascudo, foram o general Cordeiro de Farias, o chefe de polícia local, André Fernandes de Sousa, Godofredo Rocha, chefe da Defesa Civil (1999, p. 425).
Natal inteira, localizada próxima a Base, foi preparada e organizada em todos os sentidos e áreas (naval, aérea, terrestre). Fizeram surgir “casas, estaleiros, cais de atracação e subida para os aviões anfíbios, armazéns, hospitais, cassinos” (Cascudo, 1999, p. 424). Na “Rampa da Limpa” atracavam os grandes 24 PBY, os hidroaviões patrulhas da USS Navy, os “Catalinas”, os bombardeios B-29 e os clippers de 75 passageiros . A cidade inteira vivia o clima de guerra. Os black-out eram constantes, os abrigos públicos contra bombardeios, os voluntários para todas as necessidades. (1999, p. 425).
Tarcísio Medeiros num artigo em seu Estudos de História do Rio Grande do Norte (2001), enfatiza a importância da localização estratégica de Natal e do Rio Grande do Norte, assim como o do próprio Brasil, para o domínio estratégico e militar da costa do Atlântico Sul. O Rio Grande do Norte, desde o período de sua ocupação colonial sempre foi ponto estratégico, no século XX, a II Guerra Mundial foi prova disto (MEDEIROS, 2001, p. 117-118).
No início da guerra, três navios militares brasileiros faziam a guarda da costa potiguar: Cananéia, Camaquã e Camocim. Estes apoiados por aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). Em 1941 Natal recebia o 16º Regimento de Infantaria, parte da 14ª Divisão de Infantaria. Também a Base Naval de Natal recebia o seu comandante, Ary Parreiras. Já “a aviação, unificada desde 18 de janeiro [de 1941] com a criação do Ministério da Aeronáutica, possuindo o campo de ‘Parnamirim’, estabeleceu a sede da 2ª Zona Aérea, cujo comando foi confiado ao Brigadeiro Eduardo Gomes” (MEDEIROS, 2001, p. 119).
A preocupação central para o Brasil era o Afrika Korps de Rommel, situado na África do Norte, com seus aviões, submarinos e homens que podiam avançar sobre a costa nordestina. Para dar conta desta ameaça, “foi decretada a mobilização geral, não somente militar, com o chamamento de reservistas de várias classes para a caserna, como ainda de ordem econômica, para o que, neste particular, foram criados órgãos especializados” (MEDEIROS, 2001, p. 119), voltados para a economia de guerra e seus esforços (racionamento, alocação de mão-de-obra, busca de matérias-primas essenciais, etc.).
Ateste-se também a presença da Cruz Vermelha, a importância da Defesa Civil (inclusive com a importante participação de Luis da Câmara Cascudo), a Polícia local, que possibilitaram a defesa interna e o serviço de contra-espionagem. Também foram significativos as polícias de black-outs, os alarmes estratégicos e os abrigos públicos. Os exercícios de black-out foram realizados na cidades que estava protegida pela artilharia aérea, holofotes e aviões. A partir de maio de 1943
a cidade viveu em black-out ininterrupto, enquanto durou a guerra na África. Nesse período, por três ocasiões, foram dados alertas reais com duração de mais de duas horas, por terem sidos detectados sinais de aproximação de forças inimigas, felizmente sem conseqüências maiores, porém causadores de grande susto à população recolhida aos abrigos, e para muitos que fugiram para o interior do Estado (MEDEIROS, 2001, p. 120).
Medeiros informa que em outubro de 1939 o Congresso das Nações Americanas estabelece uma Zona de Segurança que envolveria o continente americano. Tomado os limites do Brasil, estabeleceu-se uma “Zona de Guerra, subdividida em Teatros de Operações. (...) Nessa delimitação, o Estado do Rio Grande do Norte foi enquadrado no Teatro de Operações (TO) do Nordeste (NE)” tendo em vista sua localização estratégica (2001, p. 121).
O importante era estabelecer a defesa por meios navais e aéreos. Foram criados para tanto: “16º R.I., GBC (40º e 42º BC), AD/14 – com: 4º GADo – 2º /8º RAM – 3º RADC, 1º/3º RAAAe, 2º/GMAC, 2º BCC, 1 B. de Engenhos e 1 B. de Comunicações” (Medeiros, 2001, p. 122). Tudo isso agrupado ao longo do litoral potiguar e em alguns pontos do interior. Medeiros descreve com acuidade as estratégias de defesa que poderiam ser utilizadas caso a costa fosse invadida ou atacada (Cf. 2001, p. 122-123).
Natal é modificada drasticamente com os eventos. De cerca de 60 mil habitantes, viu sua população quase duplicar. Milhares de militares: americanos e brasileiros. Além da mão-de-obra atraída pelos grandes empreendimentos militares. Os americanos eram grandes gastadores e dinamizaram a economia local, principalmente o comércio e os cabarés (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Parnamirim Field foi construída com mão-de-obra potiguar e milhares de norte-rio-grandeses lá passaram. Além dela, os americanos construíram uma base aerofluvial às margens do rio Potengi, “não apenas para abrigo e operações das grandes lanchas PT de combates anti-submarinos, como necessária aos menores hidroaviões anfíbios de transporte de cargas” (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Tarcísio de Medeiros destaca a “Conferência de Natal”, realizada a 28 de janeiro de 1943, onde o presidente Getúlio Vargas, do Brasil, e o presidente, Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos, a bordo do Cruzador Humboldt, fecharam vários acordos de cooperação e aliança militar e civil (MEDEIROS, 2001, p. 125).
Além de destacar a brilhante liderança do Almirante Ary Parreiras na Base Naval de Natal, Medeiros mostra que as baixas da Marinha brasileira chegaram a 476 mortos em serviço ativo, ultrapassando o número de pracinhas da FEB na Itália. Os maiores efetivos eram do Exército assim como as maiores atribuições. Muito material norte-americano foi utilizado, incluído os Jeeps (2001, p. 128).
A figura do soldado tornou-se significativa no cenário natalense. Seus hábitos e rotinas se mesclaram às da cidade. Seu treinamento era melhor que seu equipamento e armamento, que só foi melhorado a partir de junho de 1944, quando a 14 D.I, começou a receber equipamento mais moderno (MEDEIROS, 2001, p. 129-131).
A importância de Natal pode ser verificada a partir da declaração do General em Chefe dos Exércitos Aliados, Dwight Eisenhower em 1946:
Tive muita satisfação de pisar o solo do lugar de que tanto cogitei durante a guerra. Natal teve, como todos sabem, influência decisiva na guerra, possibilitando às Nações Unidas as maiores facilidades para alcançar seus objetivos (MEDEIROS, 2001, p. 130).
Natal foi importante e continua expressando sua importância na presença do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno e de sua Base Aérea. Daqui foram lançados as bases para a derrota do Afrika Korps de Erwin Rommel e para a Campanha da Itália, assim coma a queda do Nazi-facismo na Europa.
Bibliografia
CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal: RN Econômico, 1999.
MARIZ, Marlene da Silva, SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão. História do Rio Grande do Norte. Natal: Ed. Sebo Vermelho, 2002.
MEDEIROS, Tarcício. Estudos de História do Rio Grande do Norte. Natal: Tipografia Santa Cruz, 2001.
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Tarcísio Medeiros
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Medicina, serviço público e responsabilidade social
A Prefeitura Municipal do Natal anunciou oficialmente hoje, em Diário Oficial, a exoneração de cerca de 100 médicos da rede municipal de saúde. Motivo: os ditos cujos não trabalhavam em suas funções e não mais compareciam ao serviço hà meses. Costume antigo no serviço público brasileiro, o funcionário fantasma é uma chaga a ser constantemente combatida. O fato é que os médicos recebiam pelo que não faziam. Pouco ou não, recebiam. Sinal dos tempos? Talvez sim. O fato é que se deu um passo importante para a moralização do Estado e do serviço público. Quem não quer trabalhar que abra espaço para quem o deseja. E se não houver quadros suficientes? Ao menos sobrará dinheiro para outros investimentos também urgentes ou para pagar outras categgorias também necessárias.
Professores que não dão aula em suas funções na escola pública também estão sendo combatidos pela promotoria da educação. Vamos esperar que isso afete as demais carreiras também, como o judiciário.
Professores que não dão aula em suas funções na escola pública também estão sendo combatidos pela promotoria da educação. Vamos esperar que isso afete as demais carreiras também, como o judiciário.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Reality Shows e a desgraça nacional
Estou cansado de reality shows. Cansei-me hà muito, cerca de dez anos atrás. Não perguntem-me sobre BBB's, Fazendas e outras desgraças. Não informam nada, não trazem valores positivos e portanto, deseducam. Não que eu ache que o lazer tenha que necessariamente educar, mas o contrário é demais!
Juntar um monte de gente com narcisismo crônico e doida para ser famosa num mesmo espaço, com chances de ganhar uma pequena fortuna e trabalhar na mídia (mesmo sem ter a mínima competência) faz com que estes mesmos atores (afinal, atuam o tempo inteiro, pois nada ali é "real" de fato), se engalfinhem em tramóias, mentiras, dissimulações e recalques para ganhar o jogo.
Não há, na verdade, nada de reality nesses shows. O espaço é construído artificialmente, mantido (em termos de produção social da própria existência) artificialmente e as relações sociais ali estabelecidas são pautadas por uma lógica de jogo que é, fatalmente, manipulada pelas emissoras de televisão.
O pior, de encomenda, é que os valores passados são os mais egocêntricos e superficiais possíveis: uma verdadeira mistura de Luciana Gimenez e Márcia Goldschimtz juntas. Superficialidade intelectual com arrogância estética. O que se passa para nossos jovens: "Seja bonito, passe por cima dos outros, faça panelinhas e conchavos, traia seus ideais e você ganhará o reino dos céus!".
Estamos na décima edição do BBB. O que significa que, ao contrário de muitos países onde isso já acabou, ainda estamos submetidos a essas desgraças. Mas estamos em ano eleitoral... Virão piores!!!
Juntar um monte de gente com narcisismo crônico e doida para ser famosa num mesmo espaço, com chances de ganhar uma pequena fortuna e trabalhar na mídia (mesmo sem ter a mínima competência) faz com que estes mesmos atores (afinal, atuam o tempo inteiro, pois nada ali é "real" de fato), se engalfinhem em tramóias, mentiras, dissimulações e recalques para ganhar o jogo.
Não há, na verdade, nada de reality nesses shows. O espaço é construído artificialmente, mantido (em termos de produção social da própria existência) artificialmente e as relações sociais ali estabelecidas são pautadas por uma lógica de jogo que é, fatalmente, manipulada pelas emissoras de televisão.
O pior, de encomenda, é que os valores passados são os mais egocêntricos e superficiais possíveis: uma verdadeira mistura de Luciana Gimenez e Márcia Goldschimtz juntas. Superficialidade intelectual com arrogância estética. O que se passa para nossos jovens: "Seja bonito, passe por cima dos outros, faça panelinhas e conchavos, traia seus ideais e você ganhará o reino dos céus!".
Estamos na décima edição do BBB. O que significa que, ao contrário de muitos países onde isso já acabou, ainda estamos submetidos a essas desgraças. Mas estamos em ano eleitoral... Virão piores!!!
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O Haiti é logo ali
O Haiti, antes país mais pobre das Américas, agora é o mais pobre do mundo. De forma apocalíptica foi varrido do mapa. Sua infraestrutura que antes era precária, agora inexiste. Seu povo, submetido à fome e à violência, agora convive com o caos. Um desastre de proporções bíblicas numa nação de ex-escravos. Num povo sui generis que possui suas peculiaridades culturais num continente tão europeizado. O que fazer? Não há o que discutir. Cabe aos EUA e ao Brasil tomar a frente na reconstrução dessa nação. O custo? Baixo. Dois bilhões de dólares ao ano, por cinco anos, que pode ser rateado entre as duas nações. Ha... nós temos problemas demais, dirá o leitor. Não como eles. Assim como o óbulo da viúva, que em sua miséria deu mais do que o rico fariseu, nós que ainda passamos por dificuldades graves e, por isso, compreendemos melhor a situação, devemos tomar providências. Se o Brasil um dia quiser se constituir como potência mundial, deve começar galgando sua legitimidade na história e diante do mundo. O resto é questão de humanidade, solidariedade e amor ao próximo.
Escutei numa lanchonete na Cidade Alta que o terremoto devastou os haitianos porque sua religião oficial era o vodu. Nada mais nojento de se ouvir. Se assim fosse, vira e mexe, Itália que é católica, Japão que é xintoísta ou mesmo a Califórnia (EUA) cristã não sofreriam terremotos.
O Haiti é logo ali. Não tem petróleo, não possui grandes riquezas naturais. Apenas seu povo, pobre, negro, sofrido. Cabe olharmos para eles agora, sem preconceitos.
Escutei numa lanchonete na Cidade Alta que o terremoto devastou os haitianos porque sua religião oficial era o vodu. Nada mais nojento de se ouvir. Se assim fosse, vira e mexe, Itália que é católica, Japão que é xintoísta ou mesmo a Califórnia (EUA) cristã não sofreriam terremotos.
O Haiti é logo ali. Não tem petróleo, não possui grandes riquezas naturais. Apenas seu povo, pobre, negro, sofrido. Cabe olharmos para eles agora, sem preconceitos.
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